Que Adianta
Que adianta enganar-te se o único engano aqui sou eu nessa estória toda que foi e é a minha vida?
Preferir-me-ia, estar deitada na escuridão, queimando ao mar ou que a morte me atingisse o corpo.
Pois, é sempre mais triste que a alma morra antes do corpo.
E já não me importa se é alegre ou triste, pois para mim nada mais pode ser alegre.
Nada mais me dá satisfação ou força para nada.
Nada mais me faz sentir que ainda há sangue quente rolando entre minhas veias ou que há ar fresco ainda em meus pulmões.
Porque minha mente está livre de qualquer vida, assim como o resto de minha alma.
E, agora sei que tenho alma, porque há algo que me faz sentir que estou completamente morta apesar do pleno funcionamento de minhas faculdades mentais e minha aptidão para viver.
Sei apenas que não sinto dor nem pranto.
Apesar de reagir a agressões e rolarem-me lagrimas ao rosto.
Apesar de tentar reavivar meu corpo como alguém que estimula um quase-morto com choque elétrico.
Ou, como sempre, apesar de acordar toda manha e tentar ter uma rotina normal de alguém comum.
Apesar de viver. De tentar viver. De sobreviver.
De estar semiviva. Ou, infelizmente, mas de maneira mais certa, de estar semimorta.
Apesar de estar assim.
E de ter a capacidade de viver. E de ter a mísera capacidade de ser apenas Eu. Apenas aquela pequena (e idiota) borboleta com dobradiças sob as asas.

Do Melhor
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