Do que eu fui
Existe tão pouco em mim daquela criança que fui
Sorridente, agitada, cheia de inocência e sonhos
Agora os sorrisos são poucos, quase nenhum
As agitações são outras, apenas correria do trabalho pra casa
E aonde foi a inocência? Nem sei o que restou dos sonhos
Entre uma farpa e outra escondida nos abraços diários
Pessoas falsas, beijos sem gosto, olhares mortos
Estou escondendo meu medo de ser vazio também
Apenas flor de plástico em vaso sem água e sem borboleta a me procurar
Deixado no triste canto de uma sala
Sem sol e sem chuva que me toquem de leve no rosto
Sem direito a morrer e ter atenção por poucos segundos que sejam
Resta tão pouco em mim do que eu fui
Seria capaz de colocar em palavras doces
Ainda sincero nas lagrimas
Ainda perdido em pensamentos
Ainda apaixonado sabe-se lá pelo que
Resta tão pouco em mim do que eu fui
Resta tão pouco em mim dos sonhos que tive
Da alegria que senti, do amor que dei, dos sonhos que dividi
Resta tão pouco em mim de mim mesmo
Nem sei se sou eu ou se sou copia barata
Vazia, desbotada, monte de defeitos gritantes
Resta tão pouco em mim daquela criança que fui
Tudo se resume em um olhar triste, mas com ponta de esperança

Do Melhor
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