Arquivo Morto
Olhares assustados
Imersos numa dor por todo o sempre
Holofotes voltados para a tristeza
Pedaços de vida mutilados
Tornando-se apenas um numero na gaveta
E a dor inumerável de quem um dia viu o ser
E de quem hoje vê tornar-se uma estatística
Tentando desvendar uma mente sombria, talvez doente.
Uma mente inclassificável, que faz jorrar sangue.
Numa dança quase indecente
E um incompreensível frenesi
Um misto de sentimento nenhum
Fingindo solidariedade
Em busca de qualquer coisa com muito sangue
Pra exibir depois que a mocinha chorar
Enquanto os soldadinhos quebra-nozes desenham rostos
O rei-momo preocupa-se com a imagem que deve ter
E jorram lagrimas: verdadeiras, falsas.
Os corpos se multiplicam: três, dez, cem...
As lágrimas também aumentam, a dor aumenta.
Os soldados de chumbo terão que engolir os corpos
Pedaço a pedaço, lápide a lápide, susto a susto.
(ao menos eles já vem fatiados)
O rei sol está tendo um eclipse, ninguém pode fazer nada.
O jornal está vendendo bem, tem urubu voando.
E alguém extasiado com tanto pavor
Alguém sem rosto e sem nome.
Mas com passado, ainda que desconhecido.
Que é apenas um monstro para a mãe
Uma matéria para o jornal da noite
Um número para a delegacia
E uma vazia incógnita para si mesmo.

Do Melhor
Linkk
del.icio.us
E pensar que a dor pode ser poesia, a nossa ou a alheia, quem diria? Somos mesmo seres malditos.
Amon Alter | 29-01-2008 - 00:58:57 GMT -3 #