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Novos MalDitos

08/02/2008 GMT -3

Ciclo III

lotus @ 10:23

E é só isso:
Viver, crescer e pronto?!
Não se sente nada?
Não há dor para pagar os erros, não há felicidade eterna?!
E pra mim, não há nada?

Olhos paralisados, vela na mão.
E é só.
Só.
Lágrimas pra lavar o fim.
Acabou. Acabou?

Não pode ser assim.
Cadê os anjos, cadê as nuvens?! Cadê a neve?!
Onde estão os gritos, as correntes, a dor? Pra onde levaram as privações?!
Não há nada pra sentir?!
Apenas vou olhar pra minhas pequenas paredes e ver meu olhar assustado no espelho.

Imóvel, gelada, pele cada vez mais branca, olhos cada vez mais negros.
Uma boneca de vitrine. Com espelho e mostrador.
Espelho para ver minha face empalhada pela eternidade.
Mostrador para que vejam uma vida em dois mundos castanhos.
Choram. Mas sorrirão.
E eu permanecerei imóvel até enquanto lembrarem.
E quando esquecerem, ainda vou estar lá.

Fria, nunca fui tanto.
Amedrontada, com o tempo absorta.
Imóvel, parada no tempo e no espaço.
Esperando meu fim, estou acabando.
Viva, mas morta.

06/02/2008 GMT -3

Mundo Triste

gessinger @ 00:53

Cada dia envelheço vejo inúlteis no poder
Controlando minha vida sem saber o que fazer
Enquanto agente vive uma vida comum
Vivendo perigos sem destino algum.

Depois de um dia noturno
Pensei: cadê o meu mundo
Tudo passou em segundos.

Tranquei-me no quarto
Olhei para os lados
Me pos a pensar
Que raiva do mundo
Ver sangue correr
Para um novo futuro.

Chorei lágrimas de ódio
Passando pelas veias
Uma tristeza incomum
Coroe até a alma
Acelerando o coração.

Vivo em um mundo triste
Esperando você
Derramando vingança
Na esperança
De te ter.

Doce placebo, amarga verdade

jdash @ 00:31

A chuva apagou as marcas de meus pés
E eu não soube voltar pra casa,
E tantas vezes eu quis gritar,
E me perder,
Esquecer que as minhas guerras acabaram e eu perdi...

Uma outra garrafa, uma outra noite e o que eu aprendi?
Nada, por isso eu sempre volto
E o alvo em minhas costas só atrai moscas
E a língua diz o que o coração não pensa
Por isso sofre em silencio... Quem diria?... Só eu sei...

Não precisa mais cumprir suas promessas
o que me faz falta mesmo é a sinceridade em teus olhos
e eu sinto como se ainda estivesse lá parado
esperando você e nada tirasse meu sorriso
Doce placebo, amarga verdade

Mesmo tão longe
De alguma forma você continua aqui
E mesmo aqui eu me sinto tão distante disso tudo
E meus olhos admiram uma paisagem
que de fato não está exatamente ali

Meu pequeno mundo perdido
feito poemas de alguem que não ama mais...

05/02/2008 GMT -3

A Cura

gessinger @ 10:56

Tente se concentrar em meus pensamentos
Vai ver que não é tão fácil assim
Pode até se surpreender com meus segredos
Lembre-se que estou triste
Você pode encontrar coisas mórbidas
Que nem sempre tem curas
Desculpe a minha descompaixão

Sinta o que eu sinto sem você
Pense no que eu penso toda a noite
Veja as lembranças que tenho
Achar alguém como eu
Não é fácil.

Talvez você não encontre o que está procurando
É porque essa parte não fica na mente
Você veio e foi tão fácil
Tomou conta do meu “eu”
Existe alguma cura para isso?
Tente encontrar dentro de mim
Estarei esperando.

Sinta o que eu sinto sem você
Pense no que eu penso toda a noite
Veja as lembranças que tenho
Encontrar alguém como eu
Não é fácil.

Não espero que você pense em mim
Mas que traga a cura para isso tudo.

01/02/2008 GMT -3

Palavras, palavras, palavras...

amon @ 23:14

Os ponteiros seguiam em uma direção
Faziam seu corriqueiro Tic Tac
Meus pensamentos iam em outra direção
Não faziam barulho nenhum, não pra outras pessoas
Às vezes você pensa na razão das pessoas
Por que elas fazem as coisas?
Não todas as coisas, mas determindas coisas
O relogio faz Tic Tac, o Tic é mais alto, mais agudo
Dizem qua a vida é curta, mas as horas são longas
Não lembro quem diz isso, talvez eu tenho confundido as palavras
Esse era um desses dias que você pensa em perdoar
Perdoar todo mundo por que você acha que é você o errado
Ai pensa que não pode consertar as coisas
Não vai nem tentar, que se dane todos, você não esta errado
É a sua vida afinal, sua maneira de viver
Se alguém não entende ou não concorda
Bom, a porta tem dois lados, o de dentro e o de fora
Estamos sempre dentro de nossas vidas
Os outros decidem qual o lado, às vezes você bate a porta
Manda todo mundo pra fora e fica sozinho
Mas sempre tem quem você deixa entrar
Nem pergunta: "Que diabos você quer aqui?"
Sabe o que ela quer então deixa entrar
Sem ressentimentos? Sem ressentimentos
Bom, tem esse cara, ele sempre fala coisas estranhas
Mas ele disse que era pra eu entrar
Sem ressentimentos? Quem estava errado?
Que se dane, quer ou não quer o lugar?
Não foi o convite mais educado que recebi eu acho
Enfim aqui estou eu...
Palavras, palavras, palavras.
E ele diz: "Se eu sair vocês tomam conta.
Só estamos traduzindo nosso coração, tudo que precisamos são palavras".
Bom, aqui estamos nós.
Palavras, palavras, palavras...

Semivida

lotus @ 22:09

Andando, de um lado a outro... angustiada, onde ficaste?! Um copo de vinho, dois copos de vinho... Mas chega, a bebida já misturou-se às lágrimas. A fé é cega, a faca é amolada. Fé, não sei se tenho: Só sei que te desejo cada vez mais. Já a faca... ah a faca! Nem seria necessária, pois nem há mais o que se dilacerar em mim. Fostes embora, que faço agora?! Há veneno espalhando-se sobre todo meu corpo... nem sangue há mais. Apenas uma casca, e um coração, que só voltará a bater quando sentir teu corpo outra vez. E tu, quando voltas? Está frio e solitário aqui, a casa de repente ficou maior e mais escura. E eu estou aqui, num canto, jogada no alto da escada, encolhida, anestesiada. Até meus monstros passaram, não aguentaram a solidão. Agora a solidão é apenas parte de mim. Eu sou a dor que carrego cada minuto comigo. E materializo minha putrefação arrastando materia orgânica pelos cantos da casa. Misturando dor a lágrimas, não há só vinho descendo pelo ralo.

30/01/2008 GMT -3

Dia de chuva

amon @ 14:13

Era o mesmo cenário de sempre
Talvez não fossem as mesmas pessoas
Mas era como se fossem, no fim eram todos iguais
E debaixo de seus guarda-chuvas pareciam todos tristes
Correndo pra casa com seus pés molhados e com frio
Eu estava parado, às vezes era empurrado de leve por alguém
Na verdade eu estava perdido na paisagem, deslocado
As gotas escorriam pelo meu rosto com gosto de lagrimas
Pois lagrimas mesmo eu não derramei nenhuma
Não ser capaz de chorar, isso sim é ser fraco eu acho
E quando eu olhava no rosto das pessoas eu via pena
Mas eu não estava triste por estar na chuva, elas eram idiotas
Ninguém entende o que você sente quando você está triste
Elas apenas querem acreditar que sua dor é menor do que é
Pois ninguém sofre mais que você, maldito egoísmo humano
Sentei debaixo da marquise da velha fabrica
Não que quisesse me esconder da chuva
Só queria um lugar pra ficar, um lugar que não lembrasse você
Você partiu, eu sabia que partiria
Eu fiquei, eu sabia que eu ficaria, eu sempre soube
Mas eu não sabia que seria assim, pelo menos por dentro não
O que é pior que sofrer? Talvez fazer alguém sofrer...
Talvez não, sei lá... É meio estranho ficar triste eu acho
Principalmente em dias de chuva onde tudo desbota
Você pensa nas coisas que não disse, no que não viveu
Fantasia tudo e fica pior quando percebe o quanto esse sonho é impossível
Alguém para do meu lado, se esconde da chuva, puxa conversa
Ninguém entende o que você sente quando você esta triste
Mas não é culpa dela, eu é que olho tudo como se fosse diferente
Talvez nem sempre eu soubesse o que é melhor pra mim
Maldito egoísmo humano, e eu sei que a chuva não vai parar
Não hoje, nem amanhã, talvez na quarta de manhã
Mas e por dentro? Por quanto tempo vai ficar assim?
Não ser capaz de chorar, isso sim é ser fraco...

29/01/2008 GMT -3

Doce fracasso

jdash @ 16:12

Oh meu doce fracasso
por tanto tempo fugi de ti
e agora estamos aqui
dividindo taças de vinho
e companhia de pessoas
que nem lembraremos o nome amanha
cuspi palavras amargas na cara de quem só me queria bem
e troquei sonhos por cigarros
em noites que eu precisava de um trago pra me acalmar
e tantas vezes meu telefone cometeu enganos
chamando por alguem que não está mais lá
e meus olhos confundem a paisagem
pois as pessoas parecem tão iguais
mesmo quando são capazes de prometer coisas
que sei, eu mesmo não permitirei
Talvez o que nos falte seja esperança
pois estamos sempre fazendo planos
em terrenos seguros demais
E as flores não crescem
e tua voz ecoa pela sala
enquanto acendo outro cigarro
queimo outro sonho
e chamo por alguem que não está mais lá.

28/01/2008 GMT -3

Arquivo Morto

lotus @ 00:41

Olhares assustados
Imersos numa dor por todo o sempre
Holofotes voltados para a tristeza
Pedaços de vida mutilados
Tornando-se apenas um numero na gaveta
E a dor inumerável de quem um dia viu o ser
E de quem hoje vê tornar-se uma estatística
Tentando desvendar uma mente sombria, talvez doente.
Uma mente inclassificável, que faz jorrar sangue.
Numa dança quase indecente
E um incompreensível frenesi
Um misto de sentimento nenhum
Fingindo solidariedade
Em busca de qualquer coisa com muito sangue
Pra exibir depois que a mocinha chorar
Enquanto os soldadinhos quebra-nozes desenham rostos
O rei-momo preocupa-se com a imagem que deve ter
E jorram lagrimas: verdadeiras, falsas.
Os corpos se multiplicam: três, dez, cem...
As lágrimas também aumentam, a dor aumenta.
Os soldados de chumbo terão que engolir os corpos
Pedaço a pedaço, lápide a lápide, susto a susto.
(ao menos eles já vem fatiados)
O rei sol está tendo um eclipse, ninguém pode fazer nada.
O jornal está vendendo bem, tem urubu voando.
E alguém extasiado com tanto pavor
Alguém sem rosto e sem nome.
Mas com passado, ainda que desconhecido.
Que é apenas um monstro para a mãe
Uma matéria para o jornal da noite
Um número para a delegacia
E uma vazia incógnita para si mesmo.

27/01/2008 GMT -3

Pronto pro Cadafalso

amon @ 14:08

Muitas vezes estive parado no caminho
Às vezes sangrando, mas quase sempre era duvida
O passado era seguro, infelizmente era passado
O proprio nome ja dizia e era feito de outros momentos
O que se faz com o agora? Agora você anda em frente
Boa resposta, mas se era abismo então por que não criar asas?
Cair era seu estilo e não o meu
Eu era de sonhar e eu sonhava sempre
Mas se era sonho, por que não ser eterno?
Moldado com lagrimas e cinzas, não era sonho bom
Era caminho do coração e caminho de coisas pra esquecer
Mas se era coração por que não aprender com erros?
Era coração humano, atingido no tempo por palavras
Era sangue arteria e cinzas
E meus olhos eram janelas sem paisagem
Pulso aberto por fraquezas
Ah sim, eu fui fraco e vaguei no escuro
melhor não ver o proximo passo quando ele pode ser o ultimo
Castelos ao longe sem cavaleiros, sem dragão e sem princeza
O rei dança pro bobo da corte enquanto esse queima leis com cigarro
Nem todos são tão espertos o quanto pensam
era eu o rei ou era eu o bobo?
Talvez fosse o homem na forca
e talvez a forca fosse melhor pra mim
Me tiraram sonhos e me tiraram escolhas
Era apenas feito de lembranças
E se era apenas lembranças estava mesmo condenado
as ruins me atormentavam por serem erros
as boas me atormentavam por não voltarem mais
Que se abrisse o cadafalso enfim
Que chamassem os aldeões e fizessem a festa
vamos todos comemorar no maldito inferno juntos.

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