Ciclo III
E é só isso:
Viver, crescer e pronto?!
Não se sente nada?
Não há dor para pagar os erros, não há felicidade eterna?!
E pra mim, não há nada?
Olhos paralisados, vela na mão.
E é só.
Só.
Lágrimas pra lavar o fim.
Acabou. Acabou?
Não pode ser assim.
Cadê os anjos, cadê as nuvens?! Cadê a neve?!
Onde estão os gritos, as correntes, a dor? Pra onde levaram as privações?!
Não há nada pra sentir?!
Apenas vou olhar pra minhas pequenas paredes e ver meu olhar assustado no espelho.
Imóvel, gelada, pele cada vez mais branca, olhos cada vez mais negros.
Uma boneca de vitrine. Com espelho e mostrador.
Espelho para ver minha face empalhada pela eternidade.
Mostrador para que vejam uma vida em dois mundos castanhos.
Choram. Mas sorrirão.
E eu permanecerei imóvel até enquanto lembrarem.
E quando esquecerem, ainda vou estar lá.
Fria, nunca fui tanto.
Amedrontada, com o tempo absorta.
Imóvel, parada no tempo e no espaço.
Esperando meu fim, estou acabando.
Viva, mas morta.

Do Melhor
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