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Nada

Apaguei a ultima lampada
estava no total escuro
e ali eu queria ficar
não via nada
não ouvia nada
e quem me dera nada sentir
não sentir remorso pelo passado
não sentir medo pelo futuro
às vezes me sinto o homem com as obrigações
às vezes me sinto a metamorfose
que ninguem entende
ou que preferem não entender
por ser diferente
apenas diferente.

Quanto tempo se passou
desde meu ultimo pensamento claro e objetivo?

Às vezes eu sou um anjo
às vezes sou um demonio
embora sempre me sinta igual por dentro
vai ver eu seja nada
seja apenas a visão de outros
seja imutavel
mesmo que seja diferente pra cada olhar
pra cada sim e pra cada não
talvez eu seja isso...
Sim eu sou isso...
Exatamente o que você acha
sim eu não sou nada mais do que o que você enxerga.

Tantas vozes na casa ao lado
embora não more tanta gente lá
queria saber o que eles festejam
mas a resposta não esta no convite largado sobre a mesa
seria essa a razão das festas?
Encontrar o que celebrar?
Ou apenas aproveitar pra esquecer
esquecer que não temos o que comemorar?

A porta se abre
murmura alguma coisa e espera uma resposta
Diz que morri
não, essa não é uma boa resposta
diz que dormi então
é quase a mesma coisa enfim
diz apenas que minha frustração
é maior que qualquer banquete
seja oferecido aqui ao lado
ou no proprio olimpo
diz que o vazio que eu sinto agora
é tão grande que é capaz de engolir
a felicidade que eles não sentem
que isso que estou remoendo agora
é importante apenas pra mim
por isso não quero dividi-lo com mais ninguem
diz que sou isso...
Apenas isso enfim...
A porta se fecha e me devolve meu eu
Vai mentir por mim
dizer coisas que eu não posso
coisas que confortam...

Há uma razão por traz de cada sonho
uma razão por traz de cada decepção
e os sonhos de uns são a decepção de outros

Um copo para vida

Um copo de vinho apenas para uma reação tão soberba
Seu sangue não co-réu bem pelas minhas veias
Parece que um vidro veio junto na descida
Confiei em seus conselhos, parecia tão real.
Pensei que isso era coisa de cinema
A cena era tão forte que nem sei se quero acreditar ainda
Podia ter quebrado tudo, mas fui fraco!
No entanto nada estava escrito
A dor se foi no quebrar do vidro
Aqueles segundos um amor falso
Valeu horas para uma amizade que juro foi por acaso
Metade dos meus sonhos está escondida nos ares
Tempestades de revoltas tendem a me seguir
Não sei aonde ir agora
Sempre te procurei nas horas dificieis
Não tinha uma reserva para esse momento
Podia correr para meu quarto, porém seria fraca essa atitude.
Seria fácil fingir que nada disso aconteceu, ao menos dormirei tranqüilo.
Acabei voltando para o mesmo caminho
E ainda todas as barreiras estão lá, esperando um novo recomeço.

Perseguindo ilusões

Ela é feita de sonhos e é um sonho que eu não posso ter
mas eu sempre sonho que posso
e mesmo quando minhas palavras a alcançam
minhas mãos continuam distantes
e meus pés dão voltas e voltas sem rumo
e eu sempre acabo no mesmo lugar
deitado, com a cabeça cheia de imagens de coisas que eu não vivi
e outra vez eu olho pela janela e vejo uma paisagem imutavel
e penso que talvez eu ja seja parte daquele cenario
ou que eu esteja apenas me acostumando com a solidão
e meu vicio seja perseguir ilusões que eu mesmo crio...

Aos poucos vou juntando os meus cacos outra vez
fui feito em pedaços tantas vezes que nem lembro mais...
Nunca encontrei o paraiso prometido
mas a estrada ainda não acabou
estou fazendo meu caminho seguindo meu coração
isso já está tão fora de moda hoje em dia
mesmo entre aqueles que conheço
mas eu sou eu e é isso que importa
Cada um tem um jeito de encarar as coisas
é isso que faz de uns fortes e de outros fracos
não sei em que definição eu estou
talvez um pouco lá e um pouco cá...

Não sei porque eu sempre começo falando de uma coisa
e acabo em outro lugar
ou no fundo seja tudo apenas sobre mim
e eu não sei mais disfarçar que não sei como prosseguir
pois essa estrada é tão igual que nem sei em que ponto estou
e eu preciso de alguem pra me guiar
mas ela é feita de sonhos
e é um sonho que eu não posso ter
pois meu vicio é perseguir ilusões.

Ter Ou Ser um Herói

Eu já tive um herói na minha infância
O que faltava ele preenchia
Só precisava viver sendo apenas eu
Algumas coisas e pessoas mudaram, perdi a coisa de mais valor que tinha.
Perdi a confiança não em mim, mas no que achava certo.
Então minha alma de criança foi roubada antes da hora
O herói que tinha morreu antes de cumprir sua missão
Fiquei só, pois queria ser uma pessoa que não era.
Descobri que as etapas da vida devem ser compridas
No entanto lágrimas vão cair dos teus olhos

Do que eu fui

Existe tão pouco em mim daquela criança que fui
Sorridente, agitada, cheia de inocência e sonhos
Agora os sorrisos são poucos, quase nenhum
As agitações são outras, apenas correria do trabalho pra casa
E aonde foi a inocência? Nem sei o que restou dos sonhos
Entre uma farpa e outra escondida nos abraços diários
Pessoas falsas, beijos sem gosto, olhares mortos
Estou escondendo meu medo de ser vazio também
Apenas flor de plástico em vaso sem água e sem borboleta a me procurar
Deixado no triste canto de uma sala
Sem sol e sem chuva que me toquem de leve no rosto
Sem direito a morrer e ter atenção por poucos segundos que sejam
Resta tão pouco em mim do que eu fui
Seria capaz de colocar em palavras doces
Ainda sincero nas lagrimas
Ainda perdido em pensamentos
Ainda apaixonado sabe-se lá pelo que
Resta tão pouco em mim do que eu fui
Resta tão pouco em mim dos sonhos que tive
Da alegria que senti, do amor que dei, dos sonhos que dividi
Resta tão pouco em mim de mim mesmo
Nem sei se sou eu ou se sou copia barata
Vazia, desbotada, monte de defeitos gritantes
Resta tão pouco em mim daquela criança que fui
Tudo se resume em um olhar triste, mas com ponta de esperança

É você que me faz assim...

Outra vez eu te deixo ir com a canção errada
E levo as cinzas comigo pra outro lugar
Não é adeus, é apenas distancia demais entre o tempo
Tantas vezes eu olhei teu retrato e sonhei
E quantas vezes eu mordi a língua por medo de dizer?
E digo coisas que nem tem por que
Ás vezes penso que me acostumei com a tristeza
Poderia nunca mais viver sem ela
Me afogo em veneno doce que criei sem saber
Deitado nas sombras do manto da noite
E os anjos apenas sorriram e tocaram meu rosto
Pois no fim são tão perdidos nesse mundo como eu
Vem beijar meus lábios
Vem tocar minhas mãos
Vem dizer outra vez que me ama
Não que eu precise disso pra viver, mas isso me faz tão bem
Vem me buscar pra sair
Vem me levar pra dançar
Vem andar comigo na chuva
Não que eu precise disso pra viver, mas me faz viver tão bem
Vem morar comigo
Vem casar comigo
Vem ter um filho comigo
Não que eu precise disso pra viver, mas me faz ficar tão bem
Vem e me olha nos olhos
Vem e vê que é tudo verdade
Vem e fica aqui
Não que eu precise disso pra viver, mas me faz ir alem
Vem e me faz sorrir
Vem e me faz suspirar
Vem e faz eu me sentir vivo
Não que eu precise disso pra viver, mas que graça tem viver sem tudo isso?

Vítima de um jogo sem razão

Ser um brinquedo sem poder escolher
Ao menos saber que está sendo usado
Esse não é meu verdadeiro motivo
Sem saber fui participando do jogo
Ninguém quis me dizer que eu era o alvo
Apenas um interruptor para seus problemas
Para ser uma amostra de valor pessoal
Agora descobri o que eu não queria
Viciei nesse jogo
Só que não tenho você para jogar
Procuro novas pessoas
Porém nada é como antes
Aprendi a jogar, porém sem você to perdido.
As regras do jogo
Diz que não tínhamos ainda acabado
Os olhos nem via o fim do jogo
A retina ainda está firme e fixada na partida
Ao chegar do outro dia nosso jogo estava atrapalhado
Peças não coincidiam em seus lugares
Foi terrível poder avistar isso
Alguém terminou essa nossa partida
Seu destino pertence ela agora
Essas eram as regras
Do que hoje eu já não jogo mais.

Não por você, mas por mim mesmo...

Inconscientemente voltei a ser o anjo sem asas
Andando pelas sombras dos meus pensamentos
E assim como antes estava perdido nessa fantasiosa alegria
Os confetes do meu carnaval eram cinzas de sonhos
Quão triste era o arlequim, quão triste olhar e só ver a mim
E aquela voz que cantava agora o fazia com olhos úmidos
Tristeza minha que mostrei a ti
Tristeza minha que sempre será minha
Tristeza minha que escondi de ti
Tristeza minha que nunca esqueci
Eram mesmo esses deuses filhos do tempo
E eram mesmo essas lembranças feridas sem cura
O que eu faria por ti eu nem sei dizer
Se morreria ou viveria para sempre por ti
O que te faria mais feliz?
Eram mesmo ilusões as cartas feitas em manhas de inverno
Frio demais para sonhar
Corações frios demais para amar
Não por você, mas por mim mesmo e por outras tantas coisas
Eu jogo o jogo da verdade
Canhão de lagrimas pronto pra disparar
Eu logo saberia o que era o adeus
E deus mostrou seu rosto triste
Não por mim, mas por ele mesmo e por outras tantas coisas
E eu logo saberia o que era magoar
E logo saberia o que era se decepcionar
E logo saberia o que era perdoar
E saberia o que era odiar
Não a você, nem a mim mesmo, nem a Deus, mas um monte de outras coisas
E era mesmo esse sonho filho do tempo
E era mesmo canhão de lagrimas
Pronto pra explodir em meu peito
Não por você, mas por mim mesmo
Oh Deus
É você mesmo filho do tempo, e eu já não tenho tempo.

Outros olhos, outros tempos agora.

O sangue escorre pelos dedos por todos esses anos de duvida
As lagrimas me serviram de refugio, mas tiveram seu preço.
Meu sonho de deixar aquele vazio no passado fracassou
É você que sempre me deixa em duvida
Mas é você que sempre me conforta
E quem é aquele no espelho?
Tão velho e magro, meio feio, outros olhos, outros tempos agora.
Andei pensando em me mudar daqui
Andei mudando umas coisas por aqui
E eu sempre tão confiante e sempre tão distraído
Era mais simples antes, eu e você, e mais umas pessoas também
É... Foi ontem eu sei, e ontem não tinha rugas e nada disso.
20 e poucos você diz, quase esqueci.
Ja faz tanto tempo que vejo esse cenário e nada mudou
E ja faz tanto tempo que faço parte desse cenário
Nada mudou, e eu? Mais velho, e você? Mais longe
Sonho e esperança nascem como flores
Mas ai vem o outono, sempre tem outono.
É mesmo você que sempre me conforta
Mas quem é que te faz promessas?
Eu já não faço mais nada por nós faz tanto tempo
Deixei aquele lance de amor pra lá
Tão fora de moda e tão bobo às vezes
Mas eu curti um tempo
Bonito como uma flor
Depois veio o outono
Sempre vem o outono
E agora eu nem sei mais o que
Sou apenas eu e o cara no espelho
Tão velho e tão magro, meio feio.
Outros olhos, outros tempos agora.

solidão

Os meus braços não encontram a sua mão
Precisso só de uma ajuda
Não sei se posso encontrar em você a segurança
Já tentei várias vezes te encontrar
Agora que estou quase me matando você aparece?
Está tão fácil agora
Prefiro ainda não acreditar
Não sinto firmeza em seu olhar
Quem foi que te mandou aqui?
Veio para ver os meus restos?
Não sei o que quero exatamente
Na minha mente tem várias lembranças vivas
Lembro que sonhei com você uma vez
Sua respiração agora esta mais alfegante
O que está acontecendo?
Não... Não...
Meus pensamentos estão confusos
Não sei para onde ir
Não sei o que seguir
Não adianta me ajudar se não vai estar comigo depois
Prefiro desistir se tiver que ser assim
Precisso de você para um todo
E quando você precisar de mim?
Não... Não...
Vá e desapareça precisso de mim mesmo
A lembrança se é o que te importa vai viver sempre em mim
Finja que não teve nada a ver com isso e tente dormir em paz.