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Arquivo: Setembro 2008

Cicatrizes

amon 20/09/2008 @ 02:24

Debaixo dos escombros ele procura o que sobrou
Não foram bombas que destruíram sua casa, foi à estupidez...
E em cada olhar ele encontra uma vida que ele nunca vai viver...
E aonde quer que ele vá à culpa o seguirá,
Porque ela está na sua mente... E é tão forte...
E só de lembrar que a ferida continua aberta, ela dói mais...
Sempre juntos ou nunca mais?
Qual vai durar mais tempo?
Ele prefere não saber, mas ele sabe... Não pode negar...
Nunca mais... Nunca mais...
Olhar vazio seguindo a rua
Mesmo que todos o vejam eles simplesmente não entendem
Tudo vai passar alguém diz, tudo sempre passa
Mas e ai? Vai ser melhor? Você sabe?
Não importa o amanha nem o ontem
Mas e o agora? E o que eu sinto nesse momento?
Ninguém responde, ninguém sabe ou ninguém se importa
Ele apenas perdeu tudo, apenas ele perdeu tudo
Nada meu, nada seu, só dele, só ele, só...
Não foram bombas que destruiram sua casa, foi o egoismo
Mas o que ele aprendeu?
Sofre... Muda, depois esquece e erra outra vez
Tudo passa, sempre passa
Apenas cicatrizes são eternas
E algumas estão na sua mente
Sempre juntos...
Apenas cicatrizes são eternas
Algumas nos custam muito
Nunca mais...
Ele apenas prefere fingir
Mas ele sabe
Apenas cicatrizes são eternas

Eu ando tão comum

jdash 18/09/2008 @ 01:06

Hoje eu acordei pra dar seqüência na cena
A esperança chamada ultima chance
Mas por alguma razão eu queria deixar ela de lado
Pular a vez, ir pra próxima e começar outra provável queda
Hoje eu acordei pensando que talvez fosse melhor fugir
Fosse melhor ser outra pessoa com outra vida qualquer
Por que por todas as noites que eu passei com a palavra presa na garganta
E o sonho acorrentado aos pés esperando não afundar, tão tolo eu fui
Ah... O desejo de voltar o tempo, o desejo de não desejar o que não se poder ter
E todas as canções no radio falam sobre mim
E eu me sinto tão triste quando o telefone toca e meu melhor não está aqui
Hoje eu acordei pra dar seqüência ao tema
Continuar a pensar que seria melhor não saber como termina
E eu ando tão comum ultimamente que nem estrela cadente me encanta mais
Oh Deus, me perdoa por todas as vezes que tranquei a verdade no peito
Não por medo, mas por saber que a ferida seria dor sem cura
E meu orgulho não permitia confessar a culpa e perder o que é especial pra mim
Hoje eu acordei pra odiar a coragem de meus heróis
Beijar o dia cinza sem perder a elegância no olhar
Ah... Hoje eu acordei pra pensar em você a cada segundo sem saber por que
Hoje eu acordei pra deixar o medo acelerar o coração
Mas acordei pra saber que é melhor arriscar perder do que desistir de ganhar
Hoje eu acordei pra repetir erros, sorrir sem saber por que
E tem sido tanta coisa sem saber por que
E ando tão comum ultimamente que até digo "tá tudo bem, e você?"
Só pra evitar lembrar o que tem me feito mal
Eu ando tão comum que até acho normal me sentir assim
E nem sei mais quando é hora de parar e não sei quando devo voltar atrás
E penso mesmo que por alguma razão eu te afastei de mim sem saber
E penso que seja melhor te deixar assim pra não te machucar
Mas sei que você prefere escolher e eu sempre tento controlar tudo
E não sei por que, mas hoje acordei pensando que seria melhor não saber como termina.

Um grito de dor

alefocktgessinger 12/09/2008 @ 01:40

Duas vidas em jogo, você sente medo.
O silêncio te perturba gritando em sua mente
Sua alma se sente só em busca de companhia
Agora grite... Grite... Grite...
Tente viver e enxergar esse sonho
O pesadelo de perder mais uma vez é terrível
Medos ameaçam a sua vida tudo vive em você.
Tranque-se no quarto deixe a vida cuidar de você
Sonhos reais melhor tranca-los
Tudo que você vê nessa vida e uma ilusão
Se não viver isso não vai sofrer
Deixe a porta trancada e quando precisar
Grite... Grite... Grite...
Vai se sentir melhor sem a dor
Ligue a TV, veja o quanto é desesperador esse mundo.
Agora desligue, veja o reflexo do seu rosto na tela.
O que acha de viver nesse seu mundo sem dor?
Quando precisar não esqueça
Grite... Grite... Grite...

Que se dane o dia comum, eu quero mesmo é você

jdash 07/09/2008 @ 12:30

Hoje é um daqueles dias
Dia comum, sabe?
Mas daqueles que quando o telefone toca você pensa palavrão
Tem vontade de mandar o chefe pra ponte que caiu
Dia comum mesmo
Motoboy passando, jardineiro arrumando a praça, criança indo pra escola
Dia comum, mas você não ta a fim de nada e não sabe por que
Pois é, hoje é um dia assim, dia comum
Chegou conta pra pagar, o marido da irmã da tia da vizinha morreu
Odeio dia comum, previsível, entediante
Coloco mais pó no café só pra mudar o gosto do dia
Pego outro ônibus só pra ver outra forma de chegar ao mesmo lugar
O pior é que em dia comum todo mundo tem cara de filme barato
Daqueles com enredo fraco e ator em fim de carreira
Dia comum cansa mais que o normal
Puts... Dia comum é normal
Por isso a falta de ar e a dor nas pernas
Nem sei, pensei em te ligar e marcar de ver filme
Mas filme velho, aquele que a gente já viu um monte de vezes
Só pra gente poder conversar sem perder a historia
Pensei em comprar vinho e flores e aparecer sem avisar
Pensei tanta coisa, mas é dia comum e eu preso no trabalho
Pensei em mandar tudo pro inferno e voltar pra casa
Dormir depois do almoço, lá pra 1 da tarde e acordar as 6 e meia
Pensei, pensei e deixei escapar pela boca
"ah que merda de dia"
Hoje é dia comum
Comum mesmo, sabe?
Por que eu sempre venho aqui, penso nessas coisas
Mas vai ver nem precisa ser assim, acho que não precisa
Será que eu arrisco?
Droga, sempre penso isso...
Ah! Quer saber? Que se dane tudo
Foda-se o dia comum, o motoboy e as contas que eu fiz
Sinto muito Senhor Jardineiro, mas eu vou pisar na grama e cortar caminho
Vou dispensar o vinho e o filme
Dispensar as desculpas que eu sempre invento
Vou tocar a campainha e te abraçar antes de dizer oi
Vou deixar a luz do sol que passa pela janela saber que hoje eu fui seu
Vou fazer teus olhos ficarem em mim a cada segundo
Vou deixar escapar por entre meus lábios a mais comum das frases comuns
A mais simples e tola, porém sincera verdade comum que eu sufoco tantas vezes
Vou dizer sem medo de que possa soar clichê
Eu te amo e preciso de você.

Hoje

amon 02/09/2008 @ 01:54

Sentado ao lado da janela em um dia de chuva
Com algumas gotas a cair em minhas mãos
Vejo os telhados da velha fabrica cuspindo fumaça
Vejo as pessoas embaixo das marquises
Todas tão longe e tão inalcansáveis em sua solidão
Hoje eu poderia esvaecer e ninguém iria perceber
Sentado ao lado de um porta retrato em um dia de chuva
com algumas lembranças a rodar em minha mente
Vejo os sorrisos que eu não soube manter
Vejo essas lembranças sendo cada vez mais irrecuperaveis
Todas trancadas por palavras que não sairão da garganta
Hoje eu poderia chorar e ninguém iria saber
Sentado olhando a chuva
Sentindo o vento
Pensando no passado
Hoje eu poderia nem estar ali
Sentado olhando o passado
Sentindo a chuva
Pensamentos soltos ao vento
Hoje eu não queria estar ali
Sentado ali hoje com a chuva
Mas apenas com uma parte dela
Não posso ter tudo, nunca posso ter tudo
Se fosse só hoje, mas é sempre assim
Sentado ali com as lembranças
Apenas lembranças
Sentado ali hoje
Hoje
E eu nem tenho aonde ir